Sobre o nosso próximo

O nosso próximo é aquele que ajuda a curar as nossas feridas...

Tão surpreendente quanto qualquer surpresa, a gente acaba por cruzar tantos caminhos que antes nem pensávamos que cruzaríamos... Caminhar e plantar flores, já nos ensinava a Mestra Cora Coralina, e eis que a vida sempre exige isso da gente de alguma forma...

Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas...

Tão surpreendente quanto qualquer surpresa, é o fato de que a gente acaba por conhecer pessoas, aprender com elas, amá-las, ou não! O modo como a vida nos apresenta suas faces é o que faz esta existência valer a pena! Precisamos estar atentos a todas as formas de aprendizado, seja através das pessoas, da sua fala, do seu modo de agir, ou através de um simples pernilongo que zumbe nas nossas orelhas...

Faz parte da minha crença pessoal achar que nascemos para sermos “para” o outro e não “do” outro!

Se não plantarmos flores, como os pássaros assentarão em nossa sombra?
O que mais tem por aí é gente “mandacaru”, como diziam os mais velhos, que nem dá sombra e nem encosto, pois é muito mais fácil ser espinho que fere, do que flor que acalenta e perfuma o ambiente!

A nós, resta a reflexão sobre a responsabilidade que temos acerca do bem estar que podemos proporcionar ao nosso próximo... Então, fica a pergunta: Quem é o nosso próximo???

Muitas vezes, o nosso próximo é a pessoa que mais nos fere, que mais nos magoa e que mais necessita ser amada, ser acalentada e acolhida por nós!

Penso que nossa missão neste exílio conhecido como Terra, é nada mais, nada menos, que amar! E que missão! Ainda que todos amassem de maneira igual, seria um pouco mais fácil, ou não né?!

Sendo únicos, particulares, como poderíamos amar de uma única maneira?

A vida, em sua dinâmica de montanha-russa, nos ensina que, ora estamos de um lado, ora do outro, ora em cima, ora embaixo, ora aqui, ora ali, mas em tudo, temos que empregar amor, senão, não valerá a pena tanta lida pra tão pouca vida...


Tempo de Esperas

E esse tic-tac que não passa...


“...Vivemos esperando o dia em que seremos melhores... Melhores na dor, melhores no amor, melhores em tudo...” (Jota Quest)

Esperar dói!

Esperar dá medo, dá angústia, nos tira do nosso equilíbrio tão precioso. Pra gente como eu, que detesta esperar até em fila de banco, essa tarefa parece mais um martírio, mas bem que rende uma bela discussão filosófica a respeito desses “tempos de espera”.

Ainda bem que minha mãe me garantiu que eu esperei os nove meses completos pra nascer!

Esperar é um tempo entre o plantio e a colheita, entre a vida e a morte, entre a cruz e a vitória, entre duas eternidades... Mas em um mundo cada vez mais rápido e impaciente, fica cada vez mais difícil treinar o nosso corpo, o nosso cérebro e a nossa alma para a arte de esperar.

Esperar é um tempo entre o desabrochar de uma nova vida e a consumação de uma já velha. Esperar é um tempo entre um tempo e outro tempo!

Esperar é tempo!
Esperar é processo!
Esperar é aprendizado!
Esperar também é sofrer, por que não?

Se a gente só aprende quando sofre e sofrer também é esperar, então ficamos empatados, ou seja, não há aprendizado sem espera! Então o que nos resta? Esperar, ora bolas!

Esperar por dias melhores, por pessoas melhores, por sermos melhores, pra termos o melhor, um futuro melhor, uma família melhor, uma sociedade melhor!

A arte de esperar nos ensina que somos construtores da nossa própria história e que, se tivermos a paciência de acautelarmo-nos, conseguiremos tudo aquilo que nos foi prometido pela vida, pois tudo o que nos foi prometido por ela, um dia há de chegar às nossas mãos, mas é preciso viver primeiro esse tempo de esperas...

Tempo de aprender



Aí a gente aprende que a vida é uma professora má que nunca deixa seus alunos repetirem de ano;

Aprende que nem todo pirata tem perna de pau, olho de vidro e cara de mau;

Aprende que há quem nasceu para dar, mas há quem nasceu para receber;

Aprende que pessoas podem ser muralhas, mas também podem ser pontes;

Aprende que o tempo não cura feridas, mas o amor sim!

Aprende que amor é muito mais que desejo e paixão juntos;

Aprende que saudade é aquela dor esquisita no fundo do peito, gritando por quem não está perto;

Aprende que músicas, cheiros e gostos também são formas de lembrança;

Aprende que VIDA e TEMPO trabalham juntos para que aprendamos as coisas;

Aprende que precisa aprender com o outro, que precisa ser para e pelo outro;

Aprende que ninguém é uma ilha cercada de gente por todos os lados;

Aprende que dignidade é colher o que plantou e que sucesso é deitar a cabeça no travesseiro com a sensação de dever cumprido;

Aprende que o mundo gira e jamais para pra que a gente enxugue nossas lágrimas;

Aprende que a alma precisa ser tão bem alimentada quanto o corpo;


E por fim, aprende que viver é isso! É equilibrar-se entre o que se aprende e o que se ensina! Por fim a gente aprende que todo tempo é tempo de aprender!

A eternidade que cabe na palavra HOJE


O que seria de fato o agora senão uma brecha de tempo? Um tempo que já foi futuro e que será passado. Um tempo que pode ser visto ou vivido, pois resta-nos escolher entre viver colhendo o acaso ou semeando o que vislumbramos para o futuro...

Em nosso existir, somos barco á deriva, a espera de porto seguro. Que é o futuro senão um porto? O que esperamos é que ele seja de águas limpas cristalinas, suaves como o orvalho da manhã, manhã que nasce e renasce infinitamente no ciclo de nossa existência...

“...Viver dói... Só deixa de doer depois que morre...” Rachel de Queiroz nos dá uma bela lição quando nos presenteia com esta frase. A vida é um constante doer, é um constante ir e vir, de pessoas, de coisas, de sentimentos, de oportunidades...

Podemos escolher onde queremos viver, se no passado, com nossas culpas, condenações e penas, amarrados por tudo aquilo que outrora nos pesou, constrangidos por ações não tomadas ou tomadas de maneira incorreta... No presente, que como a própria palavra sugere, nos foi dado para fazermos a diferença na eternidade que cabe na palavra HOJE. Pois sim, o hoje é eterno!

E pra equilibrar esta corda bamba chamada vida, ainda temos o futuro... Ah, o futuro! Cheio dos seus sonhos, dos seus planos, das suas expectativas... Ah, o futuro... O que esperar de um tempo que ainda não vislumbramos?

A vida nos convida a sermos profetas da nossa própria existência. Nos convida a escrevermos nosso futuro, olhando o nosso passado e consertando-o no presente, pois entre a razão e a emoção, preferi voar... Voei, lancei-me nos abismos da vida como quem espera única e tão somente pelo doce som do vento em minhas asas conduzindo-me para o outro lado do mundo, do meu mundo, da minha vida. Um lado chamado FUTURO! 

Com colaborações de Elinádia Sousa e Neyrismar Felipe.



E agora, a culpa é do papel?



Caros leitores, caras leitoras, recomendo que, para uma melhor compreensão deste texto, leiam com bastante atenção estas palavras do meu colega de profissão, o Professor Neyrismar Felipe:
"É tão interessante perceber o que um Diploma de Nível Superior pode 'causar' à uma pessoa... Pode confirmar a competência percebida desde cedo e contribuir para o aprimoramento da mesma - contribuir no sentido de que o diploma é o resultado de anos de estudo que tiveram como objetivo especializar a mente/ser de um indivíduo.
Pode confirmar também a incompetência e a incapacidade de pessoas que criam em torno de si uma 'aura' carregada de orgulho e um sentimento superlativo de quem pensa estar acima de tudo e todos; que pensa saber mais que tudo e que todos.

Fico muito triste quando encontro no meio da sociedade pessoas do segundo caso - e elas existem em grande quantidade, infelizmente. É triste encontrar seres humanos de personalidade tão fraca - isso mesmo, fraca, quase que inexistente- que antes do próprio nome, precisam ostentar diplomas e títulos. São pessoa tão pobres, que sequer se auto-convencem do que são. Se escondem na sombra de um 'papel'."

Feitas as devidas introduções acerca da temática central de mais um texto deste blog, faz-se necessária apenas uma pequena lembrança acerca do bendito do papel, ou papiro, no Egito Antigo, época na qual seus primeiros usos começaram a aparecer. Era um material muito raro, feito a partir de uma planta que crescia à beira do Rio Nilo. No papel, ou papiro, eram escritos todos os dados importantes sobre os quais o Faraó gostaria de lembrar. Não entraremos nos demais méritos da história antiga do papel, mas, nos deteremos na história atual deste material que é tão presente em nossas vidas.

Um dos usos mais frequentes do papel é a fabricação de Diplomas, principalmente de Nível Superior que, com a democratização da Educação no Brasil nas últimas décadas e devido à carência de mão de obra qualificada, fez com que o nosso país fosse um dos que tem mais Instituições que oferecem este nível de Ensino no mundo, ficando atrás apenas de países como Índia e China, que tem populações largamente superiores em número em relação à nossa.

Com a democratização do Ensino Superior, ficou muito fácil "tirar um diploma", ficou muito fácil tornar-se aprendente, ficou muito fácil pseudo-qualificar-se para o mercado de trabalho que, devido à larga demanda de tais cursos, parece, a cada dia estar menos exigente com aqueles que deseja empregar.

Sendo fruto desta onda de acesso maciço às Universidades Públicas no Brasil, entrei na faculdade achando que, quando eu saísse, iria estar cheio da mais pura bagagem científica, do mais puro saber, da mais pura capacidade de dominar o conhecimento a que me dediquei a estudar que, no meu caso, foi a Biologia. Logo na primeira disciplina vi que me enganei completamente, pois a Universidade é um espaço de abertura da mente para o novo, de expansão de saberes, de vivências, de aprendizado sobre si, sobre o mundo e sobre o outro.

Sendo assim, chego a conclusão de que a culpa da má formação dos profissionais também não é do Governo que possibilita cada vez mais a sua entrada na Universidade. A culpa é de cada um desses profissionais, ou arremedos deles, que acha que um curso superior lhes trará dinheiro rápido!

Sinto desapontá-los, mas se querem dinheiro rápido, a prostituição é o melhor caminho, mas infelizmente, apesar de ela, a prostituição, e o puxa-saquismo serem as profissões mais antigas do mundo, ainda não há curso de Nível Superior para a formação nas mesmas!

Sabe o que falta aos novos profissionais? AMOR! Isso mesmo, amor pelo que fazem!

Político sem amor, torna-se corrupto;
Médico sem amor, torna-se assassino;
Professor sem amor, torna-se tirano;
Jornalista sem amor, emburrece a si e ao próximo;
Prostituta sem amor, torna-se garota de programa;
Puxa-saco sem amor, torna-se "xola";

O fato é que, seja qual for a formação que tenha, não deixe que o conhecimento adquirido faça de você uma pessoa sem humildade para aprender com a fala do outro. O que a gente mais vê por aqui, parafraseando novamente meu colega Neyrismar, são pessoas que, por terem um diploma engavetado, se acham no direito de olhar com  desdém para o resto da humanidade...

Diploma passa, cargo comissionado passa, a uva passa, o passageiro passa, todos nós passaremos, e como disse a Beata Tereza de Calcutá, "Não temos o direito de deixarmos as pessoas passarem por nossas vidas sem que se sintam melhores".

É isso! Só há apenas uma ressalva que eu gostaria de fazer: Entre a prostituição e o "puxassaquismo", acho muito mais digna a postura de quem vende apenas o corpo! Quem vende ideias, valores e virtudes, prova exatamente o que acabei de falar neste texto, que a culpa não é do papel!



A história do menino que nasceu hoje


Corre nas planícies africanas uma lenda que diz que os filhotes que nascem em meio às tempestades, nunca terão paz na vida...
Ainda bem que este filhote não nasceu na África... Nasceu no Brasil, no Ceará, na cidade do Crato, no dia em que se comemora a libertação dos escravos neste Estado, no dia em que se comemora a Anunciação do Salvador a este mundo, no dia da rua mais popular da cidade de São Paulo, no dia 25 de março!
Nasceu pequenino, branquinho como um rato, feinho, um arremedo de gente... Mas foi e é querido, muito querido, muito amado!
E foi crescendo e mostrando que a sina da lenda africana de não ter paz, realmente não combinava com ele!
Tornou-se homem, tornou-se gente, faz história com braços, pernas, mente e coração.
Ri, chora, se emociona, sente raiva, indignação, critica, é criticado, mas tenho para mim, que ele nasceu mesmo para ser do contra, para mostrar pra muita gente que, com ele, o buraco é mais embaixo!
Quando Deus disse: "Faça-se a luz", a luz foi feita! Quando Deus o fez, Ele disse: "Serás luz", e ele é!
Tornou-se alguém que não se acostuma com a mesmice, que nunca está satisfeito com as migalhas que a vida ou as pessoas às vezes tem pra oferecer. Joga verdades e consolos na cara de qualquer pessoa. Sabe entrar e sair em qualquer lugar. Ama e é amado!
Esse cara tem a estranha mania de acreditar nas pessoas, de acreditar na capacidade de mudança do outro, de acreditar que ele é diferente de todos os outros seres humanos... E talvez seja mesmo... Quem sabe a bendita chuva que caía na cidade do Crato enquanto sua mãe o paria, tenha trazido do céu esse dom de ser diferente...
Às vezes duvida da própria força, às vezes duvida da própria capacidade de mudança, mas aí vem a vida e mostra que, quando ele quer, ele corre atrás e dá um jeito, sempre!
Cativar as pessoas parece que é algo inato, involuntário, ele já nasceu com esse dom! Tem doçura no coração e veneno na língua, pode isso?
Não sei se nessas linhas caberiam uma explicação sobre esta pessoa, tamanha a sua complexidade, complexidade esta, inerente a todo ser humano...
O que eu sei é que ele foi premiado por ter nascido em um berço pobre, porém nobre. 
Passou por muita coisa nessa vida e olhe que viveu pouco até agora, mas apesar disso, nunca faltam-lhe histórias para contar...
Como todo homem, trabalha; Como todo menino, sonha...
Batalha, reza, chora, ama, fala, ajuda, vive... Do jeitão dele, meio às avessas, meio calado, meio solitário, meio ao contrário, mas vive, e vive muito, e vive bem!
Não o conheço muito, mas sei que tem muito orgulho de ser quem é e de ter se tornado quem se tornou, mesmo com defeitos inconcertáveis e com qualidades absolutamente únicas!
Sabe Ramon, se eu pudesse pedir a Deus pra ser alguém, com certeza eu pediria pra ser você!

Sobre a origem e a função do sorriso






Decidi escrever algo sobre o que penso acerca da capacidade que temos de sorrir...

Pois bem, evolutivamente falando, o sorriso surgiu com o fato de, a maioria das espécies de mamíferos precisar mostrar os dentes para lutar por algo, fosse por território, fosse por fêmeas, fosse por comida, a moda era rosnar e mostrar os dentes para intimidar os inimigos, fossem ou não da mesma espécie.

O fato é que, muitos deles ainda continuam a agir dessa forma, exceto os primatas, família da qual nós seres humanos fazemos parte. Parece-me que essa família aprendeu a usar o hábito de mostrar os dentes para outros fins que não fossem meramente competitivos.

Mas, nestas poucas palavras de hoje, não entraremos no mérito dos nossos primos, os macacos, falaremos apenas  de nós mesmos!
Me peguei pensando sobre como o sorriso é bom, é bonito, é saudável, e mesmo que faltem alguns dentes na boca, se vem do coração e de maneira sincera, é capaz de romper com  quaisquer barreiras.

Gente feliz é gente que sabe sorrir!

Mas, por incrível que pareça, há quem não saiba simplesmente dar um sorriso! Há quem prefira manter a sisudez de uma cara fechada, do que dar o braço a torcer e simplesmente, sorrir para o outro!

Até um desconhecido, um “gringo”, entende a linguagem do sorriso, a linguagem universal do acolhimento, do amor ao próximo, do sentir-se bem e do fazer o outro sentir-se bem!

O fato é que, às vezes complicamos tanto as coisas que, o simples fato de acolhermos o outro com um sorriso, com gestos de solidariedade, parece ser coisa de extraterreste. Sinceramente, gosto de gente de sorriso largo, sincero, verdadeiro. Gosto de gente de verdade, que se assume enquanto ser humano, que assume suas misérias e limitações com muito orgulho, e que assume suas potencialidades também, ora bolas!

Quem sabe se a gente sorrisse mais e de maneira mais sincera e acolhedora as guerras poderiam acabar... Utopia minha? Talvez! Se não conseguíssemos acabar com os conflitos no Oriente Médio, talvez os conflitos entre nós, os que convivemos mais de perto, poderiam ser ao menos amenizados...

Há Educadores que defendem a teoria da Educação pelo olhar. Eu gosto que me eduquem e gosto de educar pelo sorriso!

Gosto que me ensinem que, por pior que pareçam as coisas, sempre se pode sorrir; Gosto que me ensinem que o sorriso vale muito, principalmente para aqueles que não o tem como sinal na face; Gosto que me eduquem com um sorriso de esperança acompanhado de brilho nos olhos, é claro; Gosto, quero e preciso que a chama que alimenta os meus sorrisos jamais se apague, pois caso isso aconteça, de que valerá tanta lida pra tão pouca vida?

Que os nossos sorrisos sejam capazes de levar esperança aos desesperançados, luz aos que estão nas trevas, e mais, que os nossos sorrisos sejam sempre frutos do nosso amor e respeito pelo próximo!

Sorria mais!

Relógio

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